Wednesday, 21 April 2021
Thursday, 26 November 2020
Tuesday, 1 November 2016
NOTA DE AGRADECIMENTO
Servimo-nos desta para agradecer a todos os municipes da cidade de
Quelimane, docentes e discentes secundarios e universitarios, funcionarios
publicos, empresarios, jornalistas, membros da sociedade civil, partidos
politicos, que apesar da sua agenda apertada motivada pela actual crise
politico-militar-economica, participaram na palestra subordinada ao tema – ‘Os Desafios e Prioridades da Política Externa
e de Cooperação da Finlandia na Africa Austral - O Caso de Mocambique, proferida ontem, dia 01 de Novembro de 2016 pelas14
horas no Salão Nobre do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane. A palestra que
foi proferida pela Senhora Embaixadora da Finlandia, Dra. Laura Torvinen e pelo Director para África Austral no Ministério de
Negócios Estrangeiros da Finlandia, senhor Jouko Leinonen abordou inter alia os
seguintes temas:
-Gemelagem entre as cidades de Quelimane e Lapperanta nas areas culturais,
gestao de residuos solidos, criacao de ciclovias, emprego, empreendedoriamo e criacao
de uma economia verde;
-Intercambio entre empresarios e associacoes de empresarios de Quelimane e
da Finlandia.
-Intercambio entre estudantes, professores, instituicoes de ensino
primario, secundario, superior e de pesquisa,
-Promocao dos direitos humanos, democracia, reconciliacao nacional e paz.
-Promocao da prestacao de contas e boa governacao
-O caso das dividas ocultas
-historiografia das relacoes entre a Finlandia e Mocambique
-Situacao politica na Finlandia
-Papel da Finlandia na Africa Austral
-Os principios da politica externa, de cooperacao e de desenvolvimento da
Fnlandia
-As prioridades da finlandia na Africa Austral e em Mocambique
-Desenvolvimento economico para a criacao de emprego e oportunidades de
negocios e politica economica da Finlandia
-Direitos da raparigas e das mulheres
-Apoio a saude, a educacao primaria e a formacao profissional
-Apoio ao sector privado
-Apoio a direccao nacional de estudis e analise economica no ministerio das
financas
-Desenvolvimento rural
Apoio a Assembleia da Republica
-Apoio a pesquisa (UEM e IESE)
-Fundo Comum (FASE)
A palestra foi co-organizada pelo Conselho Municipal da Cidade de
Quelimane, o Centro de Estudos Mocambicanos e Internacionais (CEMO) e a
Fundacao para o Desenvolvimento da Zambezia.
O PRESIDENTE
___________________________
Prof. Dr. Manuel de Araújo
Tuesday, 9 August 2016
Finally! EU acorda de longa e profunda sonolencia!
Caros/as defensores/as de Direitos Humanos,
A União
Europeia criou desde Dezembro de 2015, um mecanismo para apoio aos
defensores de direitos humanos que estejam em situação de risco.
Através
do mecanismo, que é gerido por um consorcio de 12 organizações da
sociedade civil, defensores de direitos humanos em todo mundo têm a
possibilidade de beneficiar de apoio financeiro para
cobrir despesas de emergência, nomeadamente:
·
Assistência legal, em caso de processo
·
Assistência médica e medicamentosa, incluindo acompanhamento psicológico, caso tenham sido alvo de violência ou ataques
·
Reforço da segurança pessoal
·
Realocação temporária para um outro país
·
Outras despesas relevantes, dependendo do tipo de risco e ameaças
Para aceder ao apoio, deverão aceder ao sitio online:
https://www.protectdefenders. eu/en/index.html
Na página encontrarão o formulário que deve ser preenchido, além da linha de apoio que está disponível 24/24:
+353 (0) 1 21 00 489
A
informação da página está em inglês( além de Francês, alemão e
Espanhol), mas a equipa poderá prestar assistência em Português, assim
como disponibilizar o formulário traduzido mediante vossa
solicitação.
O
mecanismo pode ser activado por qualquer pessoa, não havendo a
necessidade de comunicar ou envolver a Delegação da União Europeia em
Moçambique.
Por favor, divulguem a informação pelas vossas redes de contactos.
Em caso de dúvidas, podem endereça-las através deste endereço:
DELEGATION-MOZAMBIQUE@eeas. europa.eu
Monday, 8 August 2016
Histori ada Guerra na Zambezia e Nampula, o caso dos Naparamas
O Conselho Municial da Cidade de Quelimane e o Centro de Estudos
Mocambicanos e Internacionais (CEMO) tem a honra de convidalo/a a
participar na palestra a ser proferida pela Professora Corinna, da
Universidade Leiden na Holanda (PhD Yale University, USA) a ter lugar
hoje, Terca feira, dia 09 de Agosto de 2016, no Salao Nobre do Conselho
municipal da Cidade de Quelimane.
A palestra subordina-se ao tema "Historia da Guerra na Zambezia e Nampula, o Caso dos Naparamas'.
Encontre abaixo uma nota biografica da Professora
A sua presenca sera apreciada. passe a palavra,
Manuel de Araujo
Dear colleagues,
Please find my short bio below:
I’m an assistant professor of International Relations at the Institute of Political Science at Leiden University in the Netherlands. I study civil wars and the emergence of informal institutions of security governance. My current research focuses on community mobilization against insurgent violence, the formation of militias—parties to armed conflict that are neither incumbents nor insurgents—and their impact on civil war dynamics. I’m also broadly interested in African politics, transnational aspects of civil wars, and peacekeeping. I have conducted field research in Mozambique, Zambia, and Malawi.
I received my PhD from Yale University, and prior to that studied at Free University Berlin and Sciences Po Paris.
The lecture will be about my field research for my dissertation that I conducted here in Mozambique on the history of war in Zambezia and Nampula, and the role of the Naparama.
A palestra subordina-se ao tema "Historia da Guerra na Zambezia e Nampula, o Caso dos Naparamas'.
Encontre abaixo uma nota biografica da Professora
A sua presenca sera apreciada. passe a palavra,
Manuel de Araujo
Dear colleagues,
Please find my short bio below:
I’m an assistant professor of International Relations at the Institute of Political Science at Leiden University in the Netherlands. I study civil wars and the emergence of informal institutions of security governance. My current research focuses on community mobilization against insurgent violence, the formation of militias—parties to armed conflict that are neither incumbents nor insurgents—and their impact on civil war dynamics. I’m also broadly interested in African politics, transnational aspects of civil wars, and peacekeeping. I have conducted field research in Mozambique, Zambia, and Malawi.
I received my PhD from Yale University, and prior to that studied at Free University Berlin and Sciences Po Paris.
The lecture will be about my field research for my dissertation that I conducted here in Mozambique on the history of war in Zambezia and Nampula, and the role of the Naparama.
Sunday, 31 July 2016
Mensagem do edil de Quelimane aos Quelimanenses Residentes em Faro, Portugal
CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE QUELIMANE
PRESIDENTE
Quelimane, 30 de Julho 2016
PRESIDENTE
Quelimane, 30 de Julho 2016
MENSAGEM DE SAUDACAO AOS COMPATRIOTAS E AMIGOS DE MOCAMBIQUE
PARTICIPANTES DO JANTAR DE CONFRATERNIZACAO DE QUELIMANENSES RESIDENTES
NO FARO
A TER LUGAR NO DIA 30 DE JULHO 2016
Prezadas e Prezados Compatriotas e Amigos de Mocambique,
Venho por este meio, em meu nome pessoal, no da minha familia e em nome dos municipes da cidade de Quelimane, saudar-vos por manterem viva a chama e o amor que nutrem por Mocambique.
Apesar do momento dificil que Mocambique atravessa, fruto da ganancia e ma gestao dos recursos publicos, estamos certos que o pais que tanto amamos saira desta crise e contamos com o vosso apoio, pois o vosso incondicional e inquebrantavel amor por Mocambique, a vossa sabedoria, experiencia profissional e contactos sao neste momento de crise mais necessarios do que nunca!
Permitam-me que aproveite esta oportunidade singela para informr-vos que a Cidade de Quelimane, capital da nossa Zambezia, comemora no proximo dia 21 de Agosto de 2016, 74 anos de existencia. E no proximo ano, 2017, comemoraremos as Bodas de Brilhante, ou seja os 75 anos da subida a categoria de Cidade da nossa urbe!
Assim seria uma grande honra e um privilegio podermos contar convosco nestas celebracoes! Na impossibilidade material de todos ca estarem estariamos felicissimos se pelo menos um representante vosso, podesse nos obsequear com a sua presenca nas celebracoes das Bodas de Brilhante da Cidade de Quelimane!
Se Deus quiser nas primeiras semanas de Setembro estarei em Portugal. Seria um prazer enorme poder almocar ou jantar convosco.
Sem mais delongas desejo-vos bom apetite e um forte e quente abraco das tepidas aguas do Rio dos Bons Sinais!
Atenciosamente,
Manuel de Araujo
Presidente do Municipio de Quelimane
A TER LUGAR NO DIA 30 DE JULHO 2016
Prezadas e Prezados Compatriotas e Amigos de Mocambique,
Venho por este meio, em meu nome pessoal, no da minha familia e em nome dos municipes da cidade de Quelimane, saudar-vos por manterem viva a chama e o amor que nutrem por Mocambique.
Apesar do momento dificil que Mocambique atravessa, fruto da ganancia e ma gestao dos recursos publicos, estamos certos que o pais que tanto amamos saira desta crise e contamos com o vosso apoio, pois o vosso incondicional e inquebrantavel amor por Mocambique, a vossa sabedoria, experiencia profissional e contactos sao neste momento de crise mais necessarios do que nunca!
Permitam-me que aproveite esta oportunidade singela para informr-vos que a Cidade de Quelimane, capital da nossa Zambezia, comemora no proximo dia 21 de Agosto de 2016, 74 anos de existencia. E no proximo ano, 2017, comemoraremos as Bodas de Brilhante, ou seja os 75 anos da subida a categoria de Cidade da nossa urbe!
Assim seria uma grande honra e um privilegio podermos contar convosco nestas celebracoes! Na impossibilidade material de todos ca estarem estariamos felicissimos se pelo menos um representante vosso, podesse nos obsequear com a sua presenca nas celebracoes das Bodas de Brilhante da Cidade de Quelimane!
Se Deus quiser nas primeiras semanas de Setembro estarei em Portugal. Seria um prazer enorme poder almocar ou jantar convosco.
Sem mais delongas desejo-vos bom apetite e um forte e quente abraco das tepidas aguas do Rio dos Bons Sinais!
Atenciosamente,
Manuel de Araujo
Presidente do Municipio de Quelimane
Mensagem do Edil de Quelimane aos Quelimanenses Residentes em Faro, Portugal
CONSELHO MUNICIPAL DA CIDADE DE QUELIMANE
PRESIDENTE
Quelimane, 30 de Julho 2016
PRESIDENTE
Quelimane, 30 de Julho 2016
MENSAGEM DE SAUDACAO AOS COMPATRIOTAS E AMIGOS DE MOCAMBIQUE
PARTICIPANTES DO JANTAR DE CONFRATERNIZACAO DE QUELIMANENSES RESIDENTES
NO FARO
A TER LUGAR NO DIA 30 DE JULHO 2016
Prezadas e Prezados Compatriotas e Amigos de Mocambique,
Venho por este meio, em meu nome pessoal, no da minha familia e em nome dos municipes da cidade de Quelimane, saudar-vos por manterem viva a chama e o amor que nutrem por Mocambique.
Apesar do momento dificil que Mocambique atravessa, fruto da ganancia e ma gestao dos recursos publicos, estamos certos que o pais que tanto amamos saira desta crise e contamos com o vosso apoio, pois o vosso incondicional e inquebrantavel amor por Mocambique, a vossa sabedoria, experiencia profissional e contactos sao neste momento de crise mais necessarios do que nunca!
Permitam-me que aproveite esta oportunidade singela para informr-vos que a Cidade de Quelimane, capital da nossa Zambezia, comemora no proximo dia 21 de Agosto de 2016, 74 anos de existencia. E no proximo ano, 2017, comemoraremos as Bodas de Brilhante, ou seja os 75 anos da subida a categoria de Cidade da nossa urbe!
Assim seria uma grande honra e um privilegio podermos contar convosco nestas celebracoes! Na impossibilidade material de todos ca estarem estariamos felicissimos se pelo menos um representante vosso, podesse nos obsequear com a sua presenca nas celebracoes das Bodas de Brilhante da Cidade de Quelimane!
Se Deus quiser nas primeiras semanas de Setembro estarei em Portugal. Seria um prazer enorme poder almocar ou jantar convosco.
Sem mais delongas desejo-vos bom apetite e um forte e quente abraco das tepidas aguas do Rio dos Bons Sinais!
Atenciosamente,
Manuel de Araujo
Presidente do Municipio de Quelimane
A TER LUGAR NO DIA 30 DE JULHO 2016
Prezadas e Prezados Compatriotas e Amigos de Mocambique,
Venho por este meio, em meu nome pessoal, no da minha familia e em nome dos municipes da cidade de Quelimane, saudar-vos por manterem viva a chama e o amor que nutrem por Mocambique.
Apesar do momento dificil que Mocambique atravessa, fruto da ganancia e ma gestao dos recursos publicos, estamos certos que o pais que tanto amamos saira desta crise e contamos com o vosso apoio, pois o vosso incondicional e inquebrantavel amor por Mocambique, a vossa sabedoria, experiencia profissional e contactos sao neste momento de crise mais necessarios do que nunca!
Permitam-me que aproveite esta oportunidade singela para informr-vos que a Cidade de Quelimane, capital da nossa Zambezia, comemora no proximo dia 21 de Agosto de 2016, 74 anos de existencia. E no proximo ano, 2017, comemoraremos as Bodas de Brilhante, ou seja os 75 anos da subida a categoria de Cidade da nossa urbe!
Assim seria uma grande honra e um privilegio podermos contar convosco nestas celebracoes! Na impossibilidade material de todos ca estarem estariamos felicissimos se pelo menos um representante vosso, podesse nos obsequear com a sua presenca nas celebracoes das Bodas de Brilhante da Cidade de Quelimane!
Se Deus quiser nas primeiras semanas de Setembro estarei em Portugal. Seria um prazer enorme poder almocar ou jantar convosco.
Sem mais delongas desejo-vos bom apetite e um forte e quente abraco das tepidas aguas do Rio dos Bons Sinais!
Atenciosamente,
Manuel de Araujo
Presidente do Municipio de Quelimane
Monday, 14 March 2016
Quelimane Capital da Francofonia: Mensagem do Presidente do Municipio de Quelimane
Mensagem do Presidente do Conselho Municipal de Quelimane po ocasiao do Lancamento da Semana da Francofonia e da Celebracao dos Dez anos da Adesao de Mocambique a Organizacao Internacional da Francofonia
Mesdames, Messieurs,
C’est un grand honneur pour Quelimane de pouvoir accueillir cette année les célébrations de la francophonie.
Je veux à ce égard remercier le Ministère des Affaires Etrangères et de la Coopération, ainsi que le Ministère de l’Education et du Développement Humain du Mozambique, pour leur volonté de décentraliser la francophonie dans toutes les provinces du pays, et cette année en particulier jusqu’en Zambézie. Je sais que ce n’est pas facile, pour l’organisation de cet événement. Mais c’est un acte très important, qui va au-delà du symbole.
Car c’est tout le Mozambique qui est membre de la francophonie et pas seulement la province or la Ville de Maputo. C’est tout le Mozambique qui fête cette année ces dix années d’adhésion à l’Organisation Internationale de la Francophonie. C’est tout le Mozambique qui est fier et heureux de cette appartenance.
C’est tout le Mozambique qui aime la langue française, qui est une langue latine, cousine de notre portugais.
C’est tout le Mozambique qui porte les mêmes valeurs de la francophonie, à commencer par les valeurs de démocratie, de paix, de tolérance, de respect de la diversité culturelle et linguistique.
En ces jours où notre paix semble à nouveau menacée, les valeurs de la francophonie peuvent nous aider à penser notre unité dans la diversité. A regarder nos différences comme une source de richesse, et non de conflits.
C’est aussi pour cela que je trouve que le symbole est fort, d’ouvrir la francophonie cette année en Zambézie e a Quelimane. Ici, où nous avons trop souffert de nos conflits, nous devons nous emparer pleinement de ce message de tolérance et de respect de l’autre que porte la francophonie.
La francophonie, qui est cette union de quatre-vingt pays de tous les continents, de toutes les cultures, nous enseigne que l’unité ne se construit pas en détruisant les différences. Au contraire, c’est le respect des différences qui fait l’unité. L’unité d’une communauté, comme l’unité d’un pays. Notre pays. Le Mozambique.
C’est pour nous un message très fort. N’ayons pas peur du débat, du dialogue, de la confrontation des idées. N’ayons pas peur de ne pas être d’accord toujours, n’ayons pas peur de nos différences de culture ou d'opinion. Ayons confiance dans notre pays, dans notre identité nationale. Elle est forte, et elle ne sera que plus forte si nous savons respecter nos différences.
Alors merci encore une fois, à nos autorités nationales, comme aux ambassades des pays francophones, pour avoir étendu la francophonie cette année jusqu’à Quelimane.
Aujourd’hui, Quelimane est Paris, Dakar, Ottawa, Hanoi, Bamako, Bern, Conakry, Kinshasa, Bruxelles, Tunis… Je ne vais pas toutes les citer… Quelimane est toutes les capitales francophones du monde. Quelimane est elle-même une capitale francophone, qui est fière d’accueillir et de porter à son tour le message de paix et de tolérance de la francophonie.
Merci beaucoup.
Manuel de Araujo
Maire de Quelimane
Sunday, 13 March 2016
Esquadroes da morte em Mocambique?
Há esquadrões de morte para abater opositores, revela agente da Polícia da República de Moçambique
Uma das frentes mais activas do conflito político-militar, que decorre há vários meses em diversas regiões de Moçambique, acontece no distrito de Murrupula, na província de Nampula, norte de Moçambique, onde oficialmente um contingente da Polícia da República de Moçambique(PRM) foi enviado para a localidade de Naphuco para repor a ordem, alegadamente perturbada por homens armados da Renamo, e um agente terá sido raptado. Na verdade, um esquadrão de elite das forças governamentais foi enviado para o local.
“(...)fizemos uma defesa circular, em que todos parámos e concentramos o fogo. Mas sem esperar que aqueles podiam responder, porque nós fomos de madrugada. Quando responderam cada um correu à sua maneira e ele ficou”, relata um agente das forças especiais da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia da República de Moçambique (PRM), que revela ainda ter realizado várias "missões" de eliminação de alvos previamente identificados pelos comandantes, uma das quais a 25 de Setembro de 2015, em Zimpinga (41 quilómetros a leste de Chimoio na Estrada Nacional Número 6, entre Gondola e a Missão de Amatongas ), onde a ordem era eliminar fisicamente Afonso Dhlakama, líder da Renamo. “Aquele velho (Dhlakama) não morre”, disse.
Leia a seguir um relato arrepiante, feito por quem diz ter participado e por isso testemunha. “Estamos cansados. Não ganhamos nada e estamos a sonhar com aquilo”, diz o agente. O referido agente, cuja identidade não revelamos, nasceu na cidade de Maputo em 1985.
“Cumpri a tropa no Centro de Formação de Forças Especiais de Nacala Porto”, diz o agente. “Estava lá como Instrutor Auxiliar de Armamento e Tiro”. Cumprido o serviço militar, e depois de algum tempo em que trabalhou para uma empresa privada de segurança, foi incorporado nas fileiras da PRM. “Entrei para a polícia; fizeram uma seleção. Queriam aqueles que tinham sido militares e que tivessem feito o curso de armamento, para serem da Intervenção Rápida, mas estando na Presidência da República. Trabalhei na RP1 e na RP2”, diz ele. RP é a sigla para Residências Protocolares pertencentes à Presidência da República.
P – Qual é o seu percurso até chegar às Forças Especiais?
Agente – Fui militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Comecei a minha formação militar na Catembe, na Escola de Fuzileiros Navais. Depois fiquei dois anos à procura de emprego, até ser incorporado na polícia. Aqueles que foram à tropa não podem ser cinzentinhos; têm que pertencer às forças especiais. Fui fazer outra formação de anti-motim, de controlo de multidões, no caso de greves. Essa formação anti-motim é uma especialidade, Força de Intervenção Rápida é outra. Intervenção Rápida é uma força tipo bombeiro, que aparece para resolver um problema e acabar. Então, porque é que levam os que foram à tropa? É Porque estes sabem disparar vários tipos de armas. Por exemplo, eu sei disparar cerca de 26 tipos de armas. Esses das esquadras só sabem disparar pistola e AKM. Por isso é que aqueles que estiveram na tropa não pode estar numa esquadra; têm de estar num quartel, então nós temos uma dupla função; operamos como militares e como polícias também.
P – Em que ramo da corporação está afecto?
Agente – Sou agente da Polícia, da Unidade de Intervenção Rápida. Estive a trabalhar na Presidência da República. Fiz curso de franco atirador. Vocês não sabem o que existe aqui, guerra existe só que nas cidades não há guerra.
P – Onde e desde quando é que há guerra?
Agente – Estava na escolta presidencial, mas fui destacado para Nampula porque precisavam de franco-atiradores lá para operar as armas pesadas que estão lá; canhões novos de fabrico russo ZU 23. Já existiam do mesmo tipo antigas, mas recentemente chegaram novas. Só na posição de Gorongosa, onde estive em 2012 e 2015, existiam pelo menos oito. Éramos uma força conjunta que estávamos lá a realizar tiros com Dragunov, essa é uma arma que usamos para procurar as pessoas indicadas e abater, porque temos tido esse trabalho.
P – Que trabalho é esse, com quem você realiza?
Agente – Somos mais ou menos um pelotão de 20 especiais. Quando começou aquele problema em Gorongosa, em 2011, fizemos uma reciclagem e a primeira missão foi em 2012. Nós vamos lá quando a situação não está nada bem. Primeiro, tem pessoas que avançam para lá e quando a situação não está nada bem chamam os atiradores de armas pesadas para chegar e destruir. Nós é que entramos lá e matamos aquele comandante que diziam que era anti-bala; aquele morreu com canhão em Muxúnguè.
P – Que outras missões em que você esteve envolvido?
Agente – Nós ficamos no quartel, mas eles nos chamam, e dizem vão para a província x. Saímos daqui de avião, e lá apanhamos viaturas dos comandos provinciais. O que me deixa revoltado é que o meu trabalho é combater a criminalidade, manter a ordem e tranquilidade públicas. A polícia não é para matar; é para apanhar a pessoa, isolar e entregar à justiça para ser ouvida e de lá darem seguimento. É o que nós entendemos. Mas aqui neste nosso país alguém pode chegar, dar ordens para entrar no carro, e nós só temos que cumprir ordens. Ninguém vai aparecer a dizer que não quero, porque há consequências. Vinham com a foto e diziam que “está aqui, vão mata-bichar e aí onde vão mata-bichar virá alguém, então aquele que vier, mesmo primeiro isolam o guarda-costas dele porque virá acompanhado”. Dão toda a informação que “este virá acompanhado, o nome não vamos vos dizer mas é esta pessoa na foto e deve ser abatido”.
P – Então, as missões não são só contra os homens armados da Renamo?
Agente – Em Maputo nunca usamos armas contra militares. Conforme eu disse, dão-nos a foto e depois são vão ouvir que um desconhecido foi encontrado morto na zona x, como se tivesse sido um assalto.
P – Quer dizer que também operam nas cidades?
Agente – Na cidade da Beira, mas onde trabalhei mais foi em Nampula. Em Nampula já seguimos um Nissan Navarra branco dupla cabine, com matrícula vermelha. Seguimo-lo desde o hotel, no centro da cidade, fomos via Cipal, um pouco depois da Faina, contornou para a estrada Nampula-Cuamba, e era ali mesmo que o queríamos. Passamos o mercado Waresta, fomos até antes de Namina, tem o distrito de Ribáuè, quando saímos de Rapale tem uma grande distância de mato. O nosso primeiro carro, um Prado preto, ultrapassou e atrás estava outro Prado, ele praticamente ficou no meio. Furámos o pneu de frente, ele perdeu a direcção e foi parar perto da linha férrea. Nós queríamos um que estava atrás, a mexer o telefone, um saiu e queria responder o fogo mas levou na cabeça. O responsável e o motorista também quando iam sair, atiramos mortalmente. Ficaram ali.”
P – Que outras missões de que se recorda?
Agente – Há bocado fomos a Manica, tivemos um trabalho, só que lá fomos à paisana. Recebemos a foto da pessoa que nos disseram que devia ser abatida. Nós não conhecemos bem as pessoas (a serem abatidas). Eles trazem e dizem “vão até à zona x, vai passar alguém”, dão nos a informação toda da pessoa (vestuário, carro), dizem para persegui-la até uma zona onde a polícia não estará lá.
P – Já realizou alguma missão contra Afonso Dhlakama?
Agente – Já, só que aquele também é drogado. Para o líder da Renamo, primeiro lhe tentamos no distrito de Moma, mas o falhamos. Em Manica agora, só que aquele senhor não morre.
P – Quer dizer que o vosso pelotão estava em Manica atrás de Afonso Dhlakama?
Agente – O trabalho ali foi assim; mandaram-nos para lá alguns dias antes. Fomos recebidos por um dirigente (nome omitido). Primeiro eles (o líder da Renamo e a comitiva) estavam num comício, a força da escolta que estava lá dava-nos informações. Quem organizou aquilo, quem nos estava a dar refeições, em que sítio nós dormimos em Manica, o responsável dizia, “que tal hoje não pode falhar nada”.
P – Mas falharam...
Agente – Não falhamos. Muitos morreram, mas aquele velho (Dhlakama) não morre, desapareceu. Ali tem montanhas, nós ficamos na parte alta, não podiam ir outros colegas lá em baixo porque senão podia haver fogo cruzado, naquilo de que o carro que passasse havia de levar, porque não estávamos com armas ligeiras; usamos armas próprias para estragar carros. Pusemos ali a mira, sabíamos que Dhlakama vinha, porque estavam no comício e de lá ligavam para o nosso comandante a avisar que daí a pouco tempo Dhlakama havia de passar, que já partiu, alimentem as armas, e posicionamo-nos com as metralhadoras, mas não sei como é que é possível um carro passar a poucos metros e não ser atingido. Vários morreram ali mas Dhlakama conseguiu sair. Ainda perseguimos mas eles responderam.
P – Quem é que deu as ordens para essas missões em que você participou?
Agente – Sabe, aqui em Moçambique tem pessoas que nunca são mencionadas, de quem nunca se fala. Quando há problemas, sempre fala a polícia, os militares, mas há uns que sempre ficam por detrás disso: SISE(Serviços de Informaçao e Segurança do Estado). São grandes, têm informação de tudo isto aqui.
P – Só actuaram em Nampula, Manica e Sofala?
Agente – Realizamos missões de porta-à-porta na província de Sofala, nos distritos de Caia, Marromeu e Gorongosa. Chegávamos, batíamos à porta, e aqueles que saiam eram mortos. Obtemos informação dos líderes comunitários; são eles que nos informam sobre a presença de homens da Renamo numa determinada região.
P – Onde é que foi a missão mais recente?
Agente – Eu fui chamado para Murrupula, em Nampula, em Janeiro de 2016. Porque conforme já disse, os líderes comunitários conseguem observar os movimentos nas aldeias, e verificar a chegada de pessoas ou grupos estranhos. Então, chamaram-nos para lá. Não permanecemos lá; ficamos num hotel, como civis, à espera de indicações para irmos trabalhar”.
P – Que tipo de trabalho foi esse?
Agente – Há uma base da Renamo numa aldeia, é uma coisa de 42 quilómetros depois da Estrada Nacional. Deixamos os carros para não provocar ruído. É uma zona onde não entram frequentemente carros; os únicos carros que vão para lá vão à procura de carvão e lenha. Nós fomos a pé. Mesmo agora que estou a falar tem lá forças pertencentes à 6ª Unidade da Intervenção Rápida, tentando resgatar um homem que desapareceu com a sua arma.
P – Está a falar de um vosso colega que desapareceu? Como é que desapareceu?
Agente – Nós fomos lá e identificamos uma base da Renamo. Fizemos uma defesa circular, em que todos paramos e concentramos o fogo, mas sem esperar que eles pudessem responder, já que era de madrugada. Quando responderam fogo cada um correu à sua maneira e ele ficou, tinha uma metralhadora PK de 475 munições (é uma metralhadora Kalashnikov russa vulgarmente conhecida por PK), tinha dois carregadores. Depois o Comandante ligou e disse que queria o esse elemento vivo ou morto, e com a sua arma.
P – Como é que vocês comunicam com os líderes comunitários?
Agente – Todos os líderes comunitários, nas províncias, trabalham com as forças governamentais; eles dão informação. Têm a missão de vigiar na aldeia, e informar sobre a presença de elementos da Renamo; quem são os responsáveis, quem são os delegados, etc. Então nós chegamos, batemos a porta e levamos a pessoa.
P – Então, está a dizer que os homens armados da Renamo vivem no meio das populações?
Agente – Eles (os homens armados da Renamo) vivem muito bem com a população, e a população não denuncia.
P – Esses homens armados da Renamo são jovens?
Agente – Dos que já capturamos nunca vi jovens. Aqueles jovens que aparecem a entregar-se como membros da Renamo são informadores. Muitos daqueles que se entregam estão a ser chantageados e agora estão a ter problemas para regularizar os documentos. Muitos nem são guerrilheiros.
P – Quantos homens armados da Renamo estavam em Murrupula?
Agente – Não sabemos quanto são, porque muitos não andam fardados, eles vivem com a população. Eles nunca foram a uma aldeia e começarem a disparar. A Força de Intervenção Rápida é que queima escolas, se não sabiam. Nós quando íamos atacar, quando entrávamos numa aldeia, começávamos a disparar de um lado para o outro, e todos fugiam. O comandante ligava e dizia que “os homens da Renamo fizeram isto aqui”, e logo vinham ordens superiores a dizer “destruam isso aí”.
P – Então, quando as populações fogem porque dizem estarem a ser atacadas pelas Forças Governamentais não estão mentir?
Agente – Não estão a mentir. Em Tete é que foi mais vergonhoso porque o comandante que estava lá em frente disse queimam lá essas palhotas, matem os cabritos, bois e outros animais.
P – Quem foi esse comandante?
Agente – O comandante é (nome omitido). Ele teve problemas de tráfico de drogas. Foi condenado mas não cumpriu a pena, foram lhe tirar quando começaram essas confusões e foi colocado como comandante em Nampula. Quando começou a instabilidade em Nampula foi-se instalar a Intervenção Rápida na rua dos Sem Medo, e foi aí que tudo começou. Aquele Dhlakama tem medo dele, e do (nome omitido), mais conhecido por Adolfo, foi comandante dos comandos, um desertor da Renamo. Quem anima cumprir missões com ele é o comandante (nome omitido), porque nas missões que ele comanda não morre ninguém. Agora, ir com o comandante (nome omitido) morre o próximo dele, porque aquele no mato não tira a mão do bolso e não é atingido pelas balas. O comandante (nome omitido) foi comandar em Nampula, então aqueles (Afonso Dhlakama e os seus homens) fugiram para a Gorongosa, ele foi atrás deles como comandante do batalhão independente de Gorongosa, até agora.
P – Então o comandante (nome omitido) está em Sofala ou em Tete?
Agente – Esse (nome omitido) está em Gorongosa, mas é chamado em todo o sítio onde há confusão, por isso mandaram-lhe para Tete. Fomos juntos para lá, entre Maio e Setembro.
P – Além do vosso pelotão existem outros que realizam essas missões?
Agente – Não é o único. Outros estão espalhados pelas províncias.
P – E existe armamento?
Agente – Têm carros blindados novos com canhões. Chegaram novos carros na brigada montada, foram buscar ao porto de madrugada já estão aí homens a serem formados. Há canhões ZU23, armas de precisão Dragunov, e metralhadoras Pecheneg , todas de fabrico russo.
P – Porque é que decidiu revelar-nos tudo o que tem feito?
Agente – Tenho filhos por criar, e aquele trabalho me está a criar perturbações mentais. Desde que esta confusão da Renamo começou as pessoas estão a morrer. Fui fazer outra formação anti-motim, de controlo de multidões, no caso de greves. Não é para isto que nós juramos. É por isso que alguns já foram expulsos, por se recusarem a cumprir certas missões. Por exemplo, somos chamados para uma formatura, e daqui para a aqui, nos dizem, “senhores, entram no carro, levem bazucas”. Bazucas não são para o controlo anti-motim. Para debelar um motim precisa-se de pressão de ar e gás lacrimogéneo. Agora, quando te dizem para levar roquetes isso é guerra, e para mim não faz sentido.
P – Também já participou em manifestações? Porque é que levam armas com balas verdadeiras?
Agente – Quando se vai a um sítio para se manter a ordem contra um motim só tinha que ser com gás lacrimogéneo e pressão de ar, mas leva-se Makarov, leva-se AKM para com o gás lacrimogéneo afugentar a multidão e fazer demonstração. Em todas as manifestações tem que se fazer demonstração, tem que cair pessoas para aquilo parar, é como temos feito. Para as pessoas saberem que a próxima bala pode ser para mim, é aquilo que nós chamamos de demonstração.
P – Quer dizer que há entre vós um sentimento generalizado de revolta?
Agente – Uma das razões é que estamos a fazer um trabalho que não corresponde com aquilo porque nós juramos e também porque não nos pagam horas extras, porque nós somos solicitados a altas horas da noite ou de madrugada. Estamos a fazer coisas que não são aquilo que a lei manda. Até aí os nossos chefes ... nós pensamos que eles recebem mas não nos dão.
P – Qual foi a sua primeira operação?
Agente – A minha primeira operação foi em Nampula, na Rua dos Sem Medo, naquele ataque à residência de Afonso Dhlakama, na Rua das Flores. Íamos lá com ordens do Comandante (nome omitido); ele era o Comandante Provincial. Ele agora foi substituído pelo (nome omitido).
P – Quantos são vocês no vosso grupo?
Agente – Estou num grupo separado porque tem um grupo normal da Intervenção Rápida, e tem o grupo de acções especiais, que é o meu grupo. No meu grupo somos cerca de 50.
P – E o vosso alvo são os homens armados da Renamo?
Agente – É o que pensávamos, mas mais tarde fomos ver que não só eram eles porque há certos dias que vinham com fotos para fazermos certos trabalhos, mas só que aqueles já não aparentavam ser homens da Renamo.
P – Em Nampula?
Agente – Nampula é o sítio onde havia mais problemas. Porque para acabar aquilo ali em Nampula teve que se fazer o trabalho de porta a porta. Porque os líderes comunitários tinham o seu papel de identificar as pessoas; quem é o líder, quem é o delegado da Renamo. Então a gente ia lá... sem o líder, o líder só dizia aos homens do reconhecimento e o reconhecimento não abate quem abate somos nós das operações especiais.
P – Os teus colegas também estão descontentes?
Agente – Lá há muito descontentamento. Só que ali não se pode fazer o que... no meio de muitos estar a murmurar porque ali há muita gente que quer subir na base do outro. Pode ir dar informação.. uma informação dali dentro vale muito. Então ali há muito risco. O dinheiro é pouco, mas o risco é grande. Nós temos todas as provas que podem implicar muitos comandantes, porque são eles que dão as ordens.
P – Não teme represálias?
Agente – Para eu tomar a decisão de falar sobre isto é porque eu acabava de cumprir uma missão. Acabava de fazer um trabalho que todos nós saímos a murmurar; saímos mesmo mal, lesados, fomos atirar nas pessoas e nós saímos lesados. Fomos atirar mesmo nas pessoas.
P – Que operação foi?
Agente – Tivemos um trabalho... primeiro fomos a Tete. Então vinha um D4D, nós estávamos num sítio ali. Saímos com uns carros Prados fomos até a um sítio numa sombra onde tomamos refrescos e sumos. Apareceu um agente do SISE e disse a foto é esta aqui; uma foto bem grande. Este aqui quando aparecer vocês hã de ver; o movimento só hão de ver. De facto, ninguém nos disse. Vimos ele a vir primeiro já guarda costas ele estava no meio, e notou-se que este estava protegido. Saímos com ele, seguimos. O nosso carro avançou primeiro, ficou um outro Prado porque eram quatro Prados; ficou um Prado atrás um outro adiantou. Quando ele vinha foi bloqueado. Primeiro atiramos contra o ADC. O ADC deu um tiro para o ar mas ele foi atingido mortalmente. Logo que ele fez aquilo o carro foi bater num arbusto, e ele (o alvo) quando tentou sair foi mesmo à queima roupa. Daí saímos e apanhamos o voo e voltamos para Maputo.
Outro dia já fomos a Nampula fardados. Nós não fazemos isto porque gostamos de guerra. Não ganhamos nada. Vale a pena eles, ganham porque quando a gente mata, eles rebocam gado nos camiões; por exemplo, o meu comandante, o carro que está a andar com ele, é por causa daquele gado que se levou lá em Gorongosa. Nós não levamos nada. E um comandante lá também foi bem chantageado porque o dia que fomos queimar, tivemos ordens de queimar motorizadas, aquelas todas motorizadas da Renamo, nós a incendiar ele levou isolou aquela mota foi andar com ela, até hoje está a andar com aquela mota, Badjadja, uma mota vermelha, sem matrícula até... Comandante (nome omitido).
P – Esta Unidade de Intervenção Rápida onde você está já participou em manifestações? Porque levam armas com balas de verdade?
Agente – Quando se vai num sítio para se manter a ordem de motim só tinha que ser com gás lacrimogéneo e pressão de ar, mas leva-se makarov, leva-se AKM para com o gás lacrimogéneo afugentar e fazer demonstração. Todas manifestações tem que se fazer demonstração, tem que cair pessoas para aquilo parar, é como temos feito. Para as pessoas saberem que a próxima bala pode ser para ti, é aquilo que nós chamamos de demonstração.
P – Pode revelar-nos uma situação de motim onde usaram balas reais?
Agente – No dia em que fomos roubar votos em Nampula, em 2014. Ali na escola de Belenenses, escola secundária 12 de Outubro, escola secundária de Nampula, fomos de voo com homens do SISE, homens encasacados. Tem reconhecimento que ficam de tranças, tipo marginais, foram atribuídos tarefas vocês vão para lá fazer confusão por que os da Renamo têm influência. Para nós conseguirmos sacudir aqueles primeiro tiveram que ir lá colegas à paisana, que tinham tranças e roupas rasgadas, foram formar bicha e instigar, «a Frelimo aqui tem que perder » diziam e quando outro queria responder então armava-se confusão, é muito fácil de agitar macua. Depois ligaram-nos e disseram venham lá. Aí foi a Intervenção Rápida numa de que é legítima defesa e está a ir manter a ordem. Gás lacrimogéneo e fumaça, aquilo ficava escuro, levávamos as urnas nos blindados e íamos entregar homens do SISE que preenchiam Frelimo, Frelimo... Enquanto lá na escola continuávamos a disparar. Depois os carros saiam e entravam no meio da confusão enquanto eles estavam ali a preencher. OMM aquelas senhoras são malandras, estavam lá no quartel da Intervenção Rápida em Nampula cheias a preencher Frelimo, Frelimo... houveram pessoas que se fizeram de corajosos e aí o comandante disse agora batem quatro para eles verem que a coisa é séria.
P – Ao longo deste período o Governo tem dito que não quer guerra e até quer dialogar com o partido Renamo para se alcançar a paz, acha que vão entender-se?
Agente – Sabe qual é o problema é que lá no Norte é onde há riqueza, Dhlakama foi roubado nos votos mas ganhou. Eu não entendo a política só cumpro missões, mas eles não vão deixar Dhlakama governar.
http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35/57164
Uma das frentes mais activas do conflito político-militar, que decorre há vários meses em diversas regiões de Moçambique, acontece no distrito de Murrupula, na província de Nampula, norte de Moçambique, onde oficialmente um contingente da Polícia da República de Moçambique(PRM) foi enviado para a localidade de Naphuco para repor a ordem, alegadamente perturbada por homens armados da Renamo, e um agente terá sido raptado. Na verdade, um esquadrão de elite das forças governamentais foi enviado para o local.
“(...)fizemos uma defesa circular, em que todos parámos e concentramos o fogo. Mas sem esperar que aqueles podiam responder, porque nós fomos de madrugada. Quando responderam cada um correu à sua maneira e ele ficou”, relata um agente das forças especiais da Unidade de Intervenção Rápida (UIR) da Polícia da República de Moçambique (PRM), que revela ainda ter realizado várias "missões" de eliminação de alvos previamente identificados pelos comandantes, uma das quais a 25 de Setembro de 2015, em Zimpinga (41 quilómetros a leste de Chimoio na Estrada Nacional Número 6, entre Gondola e a Missão de Amatongas ), onde a ordem era eliminar fisicamente Afonso Dhlakama, líder da Renamo. “Aquele velho (Dhlakama) não morre”, disse.
Leia a seguir um relato arrepiante, feito por quem diz ter participado e por isso testemunha. “Estamos cansados. Não ganhamos nada e estamos a sonhar com aquilo”, diz o agente. O referido agente, cuja identidade não revelamos, nasceu na cidade de Maputo em 1985.
“Cumpri a tropa no Centro de Formação de Forças Especiais de Nacala Porto”, diz o agente. “Estava lá como Instrutor Auxiliar de Armamento e Tiro”. Cumprido o serviço militar, e depois de algum tempo em que trabalhou para uma empresa privada de segurança, foi incorporado nas fileiras da PRM. “Entrei para a polícia; fizeram uma seleção. Queriam aqueles que tinham sido militares e que tivessem feito o curso de armamento, para serem da Intervenção Rápida, mas estando na Presidência da República. Trabalhei na RP1 e na RP2”, diz ele. RP é a sigla para Residências Protocolares pertencentes à Presidência da República.
P – Qual é o seu percurso até chegar às Forças Especiais?
Agente – Fui militar das Forças Armadas de Defesa de Moçambique (FADM). Comecei a minha formação militar na Catembe, na Escola de Fuzileiros Navais. Depois fiquei dois anos à procura de emprego, até ser incorporado na polícia. Aqueles que foram à tropa não podem ser cinzentinhos; têm que pertencer às forças especiais. Fui fazer outra formação de anti-motim, de controlo de multidões, no caso de greves. Essa formação anti-motim é uma especialidade, Força de Intervenção Rápida é outra. Intervenção Rápida é uma força tipo bombeiro, que aparece para resolver um problema e acabar. Então, porque é que levam os que foram à tropa? É Porque estes sabem disparar vários tipos de armas. Por exemplo, eu sei disparar cerca de 26 tipos de armas. Esses das esquadras só sabem disparar pistola e AKM. Por isso é que aqueles que estiveram na tropa não pode estar numa esquadra; têm de estar num quartel, então nós temos uma dupla função; operamos como militares e como polícias também.
P – Em que ramo da corporação está afecto?
Agente – Sou agente da Polícia, da Unidade de Intervenção Rápida. Estive a trabalhar na Presidência da República. Fiz curso de franco atirador. Vocês não sabem o que existe aqui, guerra existe só que nas cidades não há guerra.
P – Onde e desde quando é que há guerra?
Agente – Estava na escolta presidencial, mas fui destacado para Nampula porque precisavam de franco-atiradores lá para operar as armas pesadas que estão lá; canhões novos de fabrico russo ZU 23. Já existiam do mesmo tipo antigas, mas recentemente chegaram novas. Só na posição de Gorongosa, onde estive em 2012 e 2015, existiam pelo menos oito. Éramos uma força conjunta que estávamos lá a realizar tiros com Dragunov, essa é uma arma que usamos para procurar as pessoas indicadas e abater, porque temos tido esse trabalho.
P – Que trabalho é esse, com quem você realiza?
Agente – Somos mais ou menos um pelotão de 20 especiais. Quando começou aquele problema em Gorongosa, em 2011, fizemos uma reciclagem e a primeira missão foi em 2012. Nós vamos lá quando a situação não está nada bem. Primeiro, tem pessoas que avançam para lá e quando a situação não está nada bem chamam os atiradores de armas pesadas para chegar e destruir. Nós é que entramos lá e matamos aquele comandante que diziam que era anti-bala; aquele morreu com canhão em Muxúnguè.
P – Que outras missões em que você esteve envolvido?
Agente – Nós ficamos no quartel, mas eles nos chamam, e dizem vão para a província x. Saímos daqui de avião, e lá apanhamos viaturas dos comandos provinciais. O que me deixa revoltado é que o meu trabalho é combater a criminalidade, manter a ordem e tranquilidade públicas. A polícia não é para matar; é para apanhar a pessoa, isolar e entregar à justiça para ser ouvida e de lá darem seguimento. É o que nós entendemos. Mas aqui neste nosso país alguém pode chegar, dar ordens para entrar no carro, e nós só temos que cumprir ordens. Ninguém vai aparecer a dizer que não quero, porque há consequências. Vinham com a foto e diziam que “está aqui, vão mata-bichar e aí onde vão mata-bichar virá alguém, então aquele que vier, mesmo primeiro isolam o guarda-costas dele porque virá acompanhado”. Dão toda a informação que “este virá acompanhado, o nome não vamos vos dizer mas é esta pessoa na foto e deve ser abatido”.
P – Então, as missões não são só contra os homens armados da Renamo?
Agente – Em Maputo nunca usamos armas contra militares. Conforme eu disse, dão-nos a foto e depois são vão ouvir que um desconhecido foi encontrado morto na zona x, como se tivesse sido um assalto.
P – Quer dizer que também operam nas cidades?
Agente – Na cidade da Beira, mas onde trabalhei mais foi em Nampula. Em Nampula já seguimos um Nissan Navarra branco dupla cabine, com matrícula vermelha. Seguimo-lo desde o hotel, no centro da cidade, fomos via Cipal, um pouco depois da Faina, contornou para a estrada Nampula-Cuamba, e era ali mesmo que o queríamos. Passamos o mercado Waresta, fomos até antes de Namina, tem o distrito de Ribáuè, quando saímos de Rapale tem uma grande distância de mato. O nosso primeiro carro, um Prado preto, ultrapassou e atrás estava outro Prado, ele praticamente ficou no meio. Furámos o pneu de frente, ele perdeu a direcção e foi parar perto da linha férrea. Nós queríamos um que estava atrás, a mexer o telefone, um saiu e queria responder o fogo mas levou na cabeça. O responsável e o motorista também quando iam sair, atiramos mortalmente. Ficaram ali.”
P – Que outras missões de que se recorda?
Agente – Há bocado fomos a Manica, tivemos um trabalho, só que lá fomos à paisana. Recebemos a foto da pessoa que nos disseram que devia ser abatida. Nós não conhecemos bem as pessoas (a serem abatidas). Eles trazem e dizem “vão até à zona x, vai passar alguém”, dão nos a informação toda da pessoa (vestuário, carro), dizem para persegui-la até uma zona onde a polícia não estará lá.
P – Já realizou alguma missão contra Afonso Dhlakama?
Agente – Já, só que aquele também é drogado. Para o líder da Renamo, primeiro lhe tentamos no distrito de Moma, mas o falhamos. Em Manica agora, só que aquele senhor não morre.
P – Quer dizer que o vosso pelotão estava em Manica atrás de Afonso Dhlakama?
Agente – O trabalho ali foi assim; mandaram-nos para lá alguns dias antes. Fomos recebidos por um dirigente (nome omitido). Primeiro eles (o líder da Renamo e a comitiva) estavam num comício, a força da escolta que estava lá dava-nos informações. Quem organizou aquilo, quem nos estava a dar refeições, em que sítio nós dormimos em Manica, o responsável dizia, “que tal hoje não pode falhar nada”.
P – Mas falharam...
Agente – Não falhamos. Muitos morreram, mas aquele velho (Dhlakama) não morre, desapareceu. Ali tem montanhas, nós ficamos na parte alta, não podiam ir outros colegas lá em baixo porque senão podia haver fogo cruzado, naquilo de que o carro que passasse havia de levar, porque não estávamos com armas ligeiras; usamos armas próprias para estragar carros. Pusemos ali a mira, sabíamos que Dhlakama vinha, porque estavam no comício e de lá ligavam para o nosso comandante a avisar que daí a pouco tempo Dhlakama havia de passar, que já partiu, alimentem as armas, e posicionamo-nos com as metralhadoras, mas não sei como é que é possível um carro passar a poucos metros e não ser atingido. Vários morreram ali mas Dhlakama conseguiu sair. Ainda perseguimos mas eles responderam.
P – Quem é que deu as ordens para essas missões em que você participou?
Agente – Sabe, aqui em Moçambique tem pessoas que nunca são mencionadas, de quem nunca se fala. Quando há problemas, sempre fala a polícia, os militares, mas há uns que sempre ficam por detrás disso: SISE(Serviços de Informaçao e Segurança do Estado). São grandes, têm informação de tudo isto aqui.
P – Só actuaram em Nampula, Manica e Sofala?
Agente – Realizamos missões de porta-à-porta na província de Sofala, nos distritos de Caia, Marromeu e Gorongosa. Chegávamos, batíamos à porta, e aqueles que saiam eram mortos. Obtemos informação dos líderes comunitários; são eles que nos informam sobre a presença de homens da Renamo numa determinada região.
P – Onde é que foi a missão mais recente?
Agente – Eu fui chamado para Murrupula, em Nampula, em Janeiro de 2016. Porque conforme já disse, os líderes comunitários conseguem observar os movimentos nas aldeias, e verificar a chegada de pessoas ou grupos estranhos. Então, chamaram-nos para lá. Não permanecemos lá; ficamos num hotel, como civis, à espera de indicações para irmos trabalhar”.
P – Que tipo de trabalho foi esse?
Agente – Há uma base da Renamo numa aldeia, é uma coisa de 42 quilómetros depois da Estrada Nacional. Deixamos os carros para não provocar ruído. É uma zona onde não entram frequentemente carros; os únicos carros que vão para lá vão à procura de carvão e lenha. Nós fomos a pé. Mesmo agora que estou a falar tem lá forças pertencentes à 6ª Unidade da Intervenção Rápida, tentando resgatar um homem que desapareceu com a sua arma.
P – Está a falar de um vosso colega que desapareceu? Como é que desapareceu?
Agente – Nós fomos lá e identificamos uma base da Renamo. Fizemos uma defesa circular, em que todos paramos e concentramos o fogo, mas sem esperar que eles pudessem responder, já que era de madrugada. Quando responderam fogo cada um correu à sua maneira e ele ficou, tinha uma metralhadora PK de 475 munições (é uma metralhadora Kalashnikov russa vulgarmente conhecida por PK), tinha dois carregadores. Depois o Comandante ligou e disse que queria o esse elemento vivo ou morto, e com a sua arma.
P – Como é que vocês comunicam com os líderes comunitários?
Agente – Todos os líderes comunitários, nas províncias, trabalham com as forças governamentais; eles dão informação. Têm a missão de vigiar na aldeia, e informar sobre a presença de elementos da Renamo; quem são os responsáveis, quem são os delegados, etc. Então nós chegamos, batemos a porta e levamos a pessoa.
P – Então, está a dizer que os homens armados da Renamo vivem no meio das populações?
Agente – Eles (os homens armados da Renamo) vivem muito bem com a população, e a população não denuncia.
P – Esses homens armados da Renamo são jovens?
Agente – Dos que já capturamos nunca vi jovens. Aqueles jovens que aparecem a entregar-se como membros da Renamo são informadores. Muitos daqueles que se entregam estão a ser chantageados e agora estão a ter problemas para regularizar os documentos. Muitos nem são guerrilheiros.
P – Quantos homens armados da Renamo estavam em Murrupula?
Agente – Não sabemos quanto são, porque muitos não andam fardados, eles vivem com a população. Eles nunca foram a uma aldeia e começarem a disparar. A Força de Intervenção Rápida é que queima escolas, se não sabiam. Nós quando íamos atacar, quando entrávamos numa aldeia, começávamos a disparar de um lado para o outro, e todos fugiam. O comandante ligava e dizia que “os homens da Renamo fizeram isto aqui”, e logo vinham ordens superiores a dizer “destruam isso aí”.
P – Então, quando as populações fogem porque dizem estarem a ser atacadas pelas Forças Governamentais não estão mentir?
Agente – Não estão a mentir. Em Tete é que foi mais vergonhoso porque o comandante que estava lá em frente disse queimam lá essas palhotas, matem os cabritos, bois e outros animais.
P – Quem foi esse comandante?
Agente – O comandante é (nome omitido). Ele teve problemas de tráfico de drogas. Foi condenado mas não cumpriu a pena, foram lhe tirar quando começaram essas confusões e foi colocado como comandante em Nampula. Quando começou a instabilidade em Nampula foi-se instalar a Intervenção Rápida na rua dos Sem Medo, e foi aí que tudo começou. Aquele Dhlakama tem medo dele, e do (nome omitido), mais conhecido por Adolfo, foi comandante dos comandos, um desertor da Renamo. Quem anima cumprir missões com ele é o comandante (nome omitido), porque nas missões que ele comanda não morre ninguém. Agora, ir com o comandante (nome omitido) morre o próximo dele, porque aquele no mato não tira a mão do bolso e não é atingido pelas balas. O comandante (nome omitido) foi comandar em Nampula, então aqueles (Afonso Dhlakama e os seus homens) fugiram para a Gorongosa, ele foi atrás deles como comandante do batalhão independente de Gorongosa, até agora.
P – Então o comandante (nome omitido) está em Sofala ou em Tete?
Agente – Esse (nome omitido) está em Gorongosa, mas é chamado em todo o sítio onde há confusão, por isso mandaram-lhe para Tete. Fomos juntos para lá, entre Maio e Setembro.
P – Além do vosso pelotão existem outros que realizam essas missões?
Agente – Não é o único. Outros estão espalhados pelas províncias.
P – E existe armamento?
Agente – Têm carros blindados novos com canhões. Chegaram novos carros na brigada montada, foram buscar ao porto de madrugada já estão aí homens a serem formados. Há canhões ZU23, armas de precisão Dragunov, e metralhadoras Pecheneg , todas de fabrico russo.
P – Porque é que decidiu revelar-nos tudo o que tem feito?
Agente – Tenho filhos por criar, e aquele trabalho me está a criar perturbações mentais. Desde que esta confusão da Renamo começou as pessoas estão a morrer. Fui fazer outra formação anti-motim, de controlo de multidões, no caso de greves. Não é para isto que nós juramos. É por isso que alguns já foram expulsos, por se recusarem a cumprir certas missões. Por exemplo, somos chamados para uma formatura, e daqui para a aqui, nos dizem, “senhores, entram no carro, levem bazucas”. Bazucas não são para o controlo anti-motim. Para debelar um motim precisa-se de pressão de ar e gás lacrimogéneo. Agora, quando te dizem para levar roquetes isso é guerra, e para mim não faz sentido.
P – Também já participou em manifestações? Porque é que levam armas com balas verdadeiras?
Agente – Quando se vai a um sítio para se manter a ordem contra um motim só tinha que ser com gás lacrimogéneo e pressão de ar, mas leva-se Makarov, leva-se AKM para com o gás lacrimogéneo afugentar a multidão e fazer demonstração. Em todas as manifestações tem que se fazer demonstração, tem que cair pessoas para aquilo parar, é como temos feito. Para as pessoas saberem que a próxima bala pode ser para mim, é aquilo que nós chamamos de demonstração.
P – Quer dizer que há entre vós um sentimento generalizado de revolta?
Agente – Uma das razões é que estamos a fazer um trabalho que não corresponde com aquilo porque nós juramos e também porque não nos pagam horas extras, porque nós somos solicitados a altas horas da noite ou de madrugada. Estamos a fazer coisas que não são aquilo que a lei manda. Até aí os nossos chefes ... nós pensamos que eles recebem mas não nos dão.
P – Qual foi a sua primeira operação?
Agente – A minha primeira operação foi em Nampula, na Rua dos Sem Medo, naquele ataque à residência de Afonso Dhlakama, na Rua das Flores. Íamos lá com ordens do Comandante (nome omitido); ele era o Comandante Provincial. Ele agora foi substituído pelo (nome omitido).
P – Quantos são vocês no vosso grupo?
Agente – Estou num grupo separado porque tem um grupo normal da Intervenção Rápida, e tem o grupo de acções especiais, que é o meu grupo. No meu grupo somos cerca de 50.
P – E o vosso alvo são os homens armados da Renamo?
Agente – É o que pensávamos, mas mais tarde fomos ver que não só eram eles porque há certos dias que vinham com fotos para fazermos certos trabalhos, mas só que aqueles já não aparentavam ser homens da Renamo.
P – Em Nampula?
Agente – Nampula é o sítio onde havia mais problemas. Porque para acabar aquilo ali em Nampula teve que se fazer o trabalho de porta a porta. Porque os líderes comunitários tinham o seu papel de identificar as pessoas; quem é o líder, quem é o delegado da Renamo. Então a gente ia lá... sem o líder, o líder só dizia aos homens do reconhecimento e o reconhecimento não abate quem abate somos nós das operações especiais.
P – Os teus colegas também estão descontentes?
Agente – Lá há muito descontentamento. Só que ali não se pode fazer o que... no meio de muitos estar a murmurar porque ali há muita gente que quer subir na base do outro. Pode ir dar informação.. uma informação dali dentro vale muito. Então ali há muito risco. O dinheiro é pouco, mas o risco é grande. Nós temos todas as provas que podem implicar muitos comandantes, porque são eles que dão as ordens.
P – Não teme represálias?
Agente – Para eu tomar a decisão de falar sobre isto é porque eu acabava de cumprir uma missão. Acabava de fazer um trabalho que todos nós saímos a murmurar; saímos mesmo mal, lesados, fomos atirar nas pessoas e nós saímos lesados. Fomos atirar mesmo nas pessoas.
P – Que operação foi?
Agente – Tivemos um trabalho... primeiro fomos a Tete. Então vinha um D4D, nós estávamos num sítio ali. Saímos com uns carros Prados fomos até a um sítio numa sombra onde tomamos refrescos e sumos. Apareceu um agente do SISE e disse a foto é esta aqui; uma foto bem grande. Este aqui quando aparecer vocês hã de ver; o movimento só hão de ver. De facto, ninguém nos disse. Vimos ele a vir primeiro já guarda costas ele estava no meio, e notou-se que este estava protegido. Saímos com ele, seguimos. O nosso carro avançou primeiro, ficou um outro Prado porque eram quatro Prados; ficou um Prado atrás um outro adiantou. Quando ele vinha foi bloqueado. Primeiro atiramos contra o ADC. O ADC deu um tiro para o ar mas ele foi atingido mortalmente. Logo que ele fez aquilo o carro foi bater num arbusto, e ele (o alvo) quando tentou sair foi mesmo à queima roupa. Daí saímos e apanhamos o voo e voltamos para Maputo.
Outro dia já fomos a Nampula fardados. Nós não fazemos isto porque gostamos de guerra. Não ganhamos nada. Vale a pena eles, ganham porque quando a gente mata, eles rebocam gado nos camiões; por exemplo, o meu comandante, o carro que está a andar com ele, é por causa daquele gado que se levou lá em Gorongosa. Nós não levamos nada. E um comandante lá também foi bem chantageado porque o dia que fomos queimar, tivemos ordens de queimar motorizadas, aquelas todas motorizadas da Renamo, nós a incendiar ele levou isolou aquela mota foi andar com ela, até hoje está a andar com aquela mota, Badjadja, uma mota vermelha, sem matrícula até... Comandante (nome omitido).
P – Esta Unidade de Intervenção Rápida onde você está já participou em manifestações? Porque levam armas com balas de verdade?
Agente – Quando se vai num sítio para se manter a ordem de motim só tinha que ser com gás lacrimogéneo e pressão de ar, mas leva-se makarov, leva-se AKM para com o gás lacrimogéneo afugentar e fazer demonstração. Todas manifestações tem que se fazer demonstração, tem que cair pessoas para aquilo parar, é como temos feito. Para as pessoas saberem que a próxima bala pode ser para ti, é aquilo que nós chamamos de demonstração.
P – Pode revelar-nos uma situação de motim onde usaram balas reais?
Agente – No dia em que fomos roubar votos em Nampula, em 2014. Ali na escola de Belenenses, escola secundária 12 de Outubro, escola secundária de Nampula, fomos de voo com homens do SISE, homens encasacados. Tem reconhecimento que ficam de tranças, tipo marginais, foram atribuídos tarefas vocês vão para lá fazer confusão por que os da Renamo têm influência. Para nós conseguirmos sacudir aqueles primeiro tiveram que ir lá colegas à paisana, que tinham tranças e roupas rasgadas, foram formar bicha e instigar, «a Frelimo aqui tem que perder » diziam e quando outro queria responder então armava-se confusão, é muito fácil de agitar macua. Depois ligaram-nos e disseram venham lá. Aí foi a Intervenção Rápida numa de que é legítima defesa e está a ir manter a ordem. Gás lacrimogéneo e fumaça, aquilo ficava escuro, levávamos as urnas nos blindados e íamos entregar homens do SISE que preenchiam Frelimo, Frelimo... Enquanto lá na escola continuávamos a disparar. Depois os carros saiam e entravam no meio da confusão enquanto eles estavam ali a preencher. OMM aquelas senhoras são malandras, estavam lá no quartel da Intervenção Rápida em Nampula cheias a preencher Frelimo, Frelimo... houveram pessoas que se fizeram de corajosos e aí o comandante disse agora batem quatro para eles verem que a coisa é séria.
P – Ao longo deste período o Governo tem dito que não quer guerra e até quer dialogar com o partido Renamo para se alcançar a paz, acha que vão entender-se?
Agente – Sabe qual é o problema é que lá no Norte é onde há riqueza, Dhlakama foi roubado nos votos mas ganhou. Eu não entendo a política só cumpro missões, mas eles não vão deixar Dhlakama governar.
http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35/57164
Sunday, 7 February 2016
Discurso de Encerramento do Carnaval da Tradicao (2016)
MUNICIPIO DE QUELIMANE
CONSELHO MUNICIPAL
PRESIDENTE
Discurso do
Presidente do Conselho Municipal da Cidade de Quelimane por ocasião do
encerramento do Carnaval 2016 no dia 07
de Fevereiro de 2016.
Excelentíssimo Senhor Director Provincial da Cultura e Turismo da Zambézia;
Excelentíssimo Senhor Conselheiro Cultural e de Cooperacao da Embaixada
Francesa em Maputo;
Excelentíssimos Senhores Membros do Governo Autárquico da Cidade de
Quelimane;
Excelentíssimos Senhores Membros da Assembleia Municipal da Cidade de
Quelimane;
Excelentíssimos Senhores Mwazambos, Samassoas e Kanfumos;
Excelentíssimos Senhores Secretários dos Bairros;
Ilustres visitantes Nacionais e Internacionais presentes nesta Cerimonia;
Prezados grupos de Foliões Populares e Empresas;
Afectuosas mamãs das barracas, verdadeiras embaixadoras da melhor gastronomia
de Mocambique, a gastronomia da Zambézia;
Digníssimos convidados;
Caros Munícipes da Cidade de Quelimane;
Minhas irmãs e meus irmãos;
Nao imaginam a emocao que me invade
ao ver o nosso povo tao feliz, apesar do momento conturbado em que se encontra
a nossa patria! Sim o nosso povo merce este carnaval! Merece esta alegria! Merece
esta extase colectiva! Mocambique nao e so tensao politica! Nao e so
calamidades naturais! Nao e so seca ou cheias! Mcambique nao so apenas
refugiados! Mocambique e isto que Quelimane sabe mostrar: Mocambique e Paz! Mocambique
e alegria! Mocambique e solidariedade! Mocambique e amizade! Mocambique e
tolerancia! Mocambique e inclusao! Mocambique e festa! Estivemos neste local
durante duas semanas e nao tivemos nenhum incidente! Nao tivemos nenhum ferido e
nao tivemos nenhum acto de agressao! Muito obrigado municipes de Quelimane! Voces
souberam ser os verdadeiros embaixadores desta patria expondo e mostrando
aquilo de melhor temos! Muito obrigado cidadaos nacionais de todos os cantos do
pais que atracaram a este porto para contagiar-se da alegria que este povo vive!
Muito obrigado! Muito obrigado! E muito
obrigado! Dinoutamaalelani abaalaga! Voces mostraram ao mundo a verdadeira face
do mocambique! A verdareira tolerancia! A verdadeira inclusao! A inclusao real, vivida na practica
e nao apenas nos discursos para ‘ingles ver’!
Nao tenho palavras para expressar
o que me vai na alma! Ver este mar de gente emociona a qualquer alma humana! Por
quase uma hora tivemos que encetar uma serie de esforcos para controlar a
multidao que nao queria perder a cerimonia de encerramento! Foi simplesmente
fenomenal!
Desejaria neste momento de
despedida, expressar toda a gratidão que sinto pela vossa coragem,
determinação, imaginação, bravura e firmeza, na concepção, preparação e
realização deste Carnaval da Tradição. Inunda-nos uma grande alegria e emoção, ao
encerrarmos com sucesso o Carnaval da Tradição. O Carnaval é parte integrante
da nossa cultura, da nossa história e desempenha um papel aglutinador de todos
os Munícipes independentemente da sua origem étnica, filiação partidária,
crença religiosa, raça e condição social.
Com cordialidade, agradeço
vivamente, através dos presentes, a todos os Munícipes desta Cidade espalhados por
todos os Bairros, pelo seu esforço laborioso, pois, trabalham durante quase
seis meses dia e noite para o desenvolvimento sustentável da nossa terra nos seus
bairros e locais de residência a saber:
Primeiro de Maio A, 24 de Julho, Aeroporto, Chirangano, Filipe Samuel
Magaia, Kansa, Liberdade, Mapiazua, Piloto, Vila Pita Popular, Saguar A, Saguar
B, Sinacurra, Torrone Velho, 7 de Abril, Coalane A, Coalane B, Icidua,
Ivagalane, Janeiro, Mirazane, Murropue, Sangarivera, Torrone Novo, Primeiro de
Maio B, 25 de Setembro, 3 de Fevereiro, Acordos de Lusaca A, Acordos de Lusaca
B, Cololo, Sampene, Samugue, 17 de Setembro, Bairro Novo, Brandão, Chuabo
Dembe, Floresta A, Floresta B, Inhangome, Manhaua A, Manhaua B, Micajune A,
Micajune B, Santagua, Bazar, Gogone, Mborio, Megano, Namuinho entre outros.
Sinto-me no dever de exprimir a
minha gratidão profunda a todos quantos tornaram este Carnaval numa realidade.
Refiro-me aos nossos parceiros, tais como: Moçambique em Concerto, Empresa
Cornelder de Moçambique, o Banco Comercial e de Investimentos, Coca Cola,
Electricidade de Moçambique, Fundo de Investimento e Património de Abastecimento
de Água, Direcção Provincial dos Recursos Minerais, Comando Provincial da Polícia
da República de Moçambique, Polícia Municipal, Sociedade Civil, Associação dos
Músicos, Escritores, Fotógrafos, Pintores e todos os Artistas de Quelimane. Quero
de forma particular agradecer a S.Excia Abdul Razak, Governador da nossa
provincia que esteve aqui connosco! Ao Director Provincial da Cultura e Turismo
que esteve aqui connosco! Ao Presidente da Comissao Executiva do BCI que apesar
dos inumeros afazeres, esteve aqui connosco! Muito obrigado aos Regulos, Samassoas,
Mwaazambos, Afumo e as Donas Zambezianas que souberam representar a nossa
tradicao! Ao nosso Juri de Cinco estrelas! E por ultimo, mas nao menos
importante permita-me agradecer aos jornalistas que durante estas duas semana escreveram
e transmitiram em directo e ao vivo este carnaval para que aqueles que nao
poderam viver esta alegria contagiante o podessem fazer no leito das suas casas
ou dos hospitais porque enfermos! Agradecemos aos jornalistas da imprensa
escrita que tiveram a quase impossivel tarefa de representar a alegria que se
vive neste recinto em palavras! Em Quelimane e na diaspora Quelimanense ninguem
quer perder o Carnaval! As Radios Paz, Zambeze FM, Quelimane FM e Radio
Mocambique o nosso muito obrigado! Aos jornais Diario da Zambezia, Makholo,
Savana e Noticias aqui fica o nosso singelo gesto de agradecimento! Venham
sempre e sintam-se sempre em casa! Os verdadeiros amigos sao aqueles vivem os
momentos de alegria e de tristeza! Muito obrigado amigos!
Como devem imaginar nao posso
esquecer-me do Homem Carnaval! Aquile que durante 365 dias vive e sonha o
Carnaval de Quelimane! Aquele que durante as duas semanas e o primeiro a chegar
e o ultimo a sair! Aquele que mais do que todos nos e o HOMEM CARNAVAL! Quem e
esse homem? Conhecem?
E isso o senhor Camal Meragy! Uma
salva de palmas para ele!
É impossível nomear, mesmo só
sumariamente, todos grupos e pessoas que desde dia 29 de Janeiro até hoje dia 7
de Fevereiro, trabalharam arduamente. Asseguro-vos que não quereria esquecer
ninguém. A todos se estende o meu agradecimento. Que ninguém se sinta preterido
ou menos apreciado.
O meu reconhecimento envolve
também aqueles cujos sentimentos da
Unidade Nacional, ou humanitários não se exprimem só nas palavras mas que quiseram participar neste Carnaval da tradição,
pressentindo que todos, afinal, estamos
empenhados ao serviço e pelo bem da humanidade. Refiro-me as minhas irmãs e
meus irmãos que participaram nos Foliões
Populares por exemplo Samba de Sinacura, Samba de Guarange, Pombos Brancos,
Samba da Liberdade, Samba Primeiro de Maio B, Samba de Nova Estrela da
Zambézia, Nova Samba da Zambézia, Águias do Piloto, Samba do Bairro 25 de
Setembro, Samba do Chirangano, Pavão de Ouro, Academia de Samba César Toledo,
Anjos de Muropue, Samba de Sangarivera, Samba de Sampene, Samba dos Mártires de
Icidua, Boa Estrela de Namuinho, Águias de Migano, Acordos de Lusaca B, Los Angeles e Santa Água
B. Aos Foliões Empresas, Politécnica, Autoridade Tributária, Cervejas de
Moçambique e ZAP.
Tive a grande consolação de ver o
fervor e a compostura entusiástica de todas as mamãs que fazem parte deste
mosaico cultural, deliciando aos participantes com iguarias e gastronomia Zambezianas.
Tanto os Foliões como as mamãs da
gastronomia, fizeram com que este Carnaval da Tradição fosse mais folclórico,
lindo, atractivo e memorável.
Não esqueço os doentes, deficientes físicos,
pobres, e todos que sofrem e não poderam fazer parte nesta cerimónia solene de encerramento
do Carnaval da Tradição. Estou certo de que ofereceram esse sacrifício e os
seus padecimentos para que tudo corresse bem. Que Deus os conforte.
Quero agradecer a todos os
membros da comissão organizadora pela vossa incansável e dedicada colaboração.
A todos, portanto, o meu muito obrigado. Congratulando-me convosco, já estou a
manifestar apreço pela participação activa que tivestes, neste sublime, exigente
e dignificante trabalho. Várias foram as diligências que pressupunham as
deslocações, a ornamentação, a segurança, a tranquilidade, a preparação e o adorno
deste local de concentração e também a difusão do evento em todos os bairros,
em todo o território nacional e em todo o mundo. Foi por isso que recebemos
nossos irmãos idos de Maputo, da França e doutros quadrantes do Planeta. Pela vossa paciência, bom senso e
dedicação, elevo bem alto a minha gratidão.
Pelos caminhos da concórdia, de uma
solidariedade respeitadora da dignidade humana, dos grupos e das comunidades no
seu todo, somos capazes de vencer os desafios que se nos apresentam.
A TODOS OS HOMENS, AS MULHERES, JOVENS, ADULTOS, VELHOS E CRIANÇAS, QUE
DURANTE ESTES DIAS SE FIZERAM A ESTE LOCAL, INDIFERENTES À CHUVA, AO CALOR E AO
SOL, VOS SAUDO COM AMOR FRATERNAL.
ADEUS CARNAVAL DA TRADICÇÃO, VIVA CARNAVAL DOS 75 ANOS! E Isso, o proximo
carnaval que tera lugar de 16 a 27 de Fevereiro sera o Maior e Melhor Carnaval
jamais visto em Mocambique! Vamos caprichar porque estaremos a celebrar os 75
anos da elevacao de Quelimane a categoria de Cidade!
ATE Ja, porque para nos Quelimanenses, o Carnaval 2017 comeca hoje!
Dinoutamaalelani
abaalaga!
Quelimane, Rumo
aos Bons Sinais, 07 de Fevereiro de 2016
Sunday, 1 November 2015
EM Windhoek, Namibia
Academicos e Politicos de Africa e Europa dsicutem democracia em Africa
Cerca de 25 politicos dentre membros do parlamento Europeu, deputados nacionais de varios paises africanos, presidentes de partidos e de municipios de ideologia centro-direita reuniram-se de 30 de Outubro a 2 de Novembro em Windhoek, Namibia para analisar o actual estado da democracia em Africa. Dentre os participantes ha a destacar a presenca dos Presidentes da Unita, do Movimento Democratico de Mocambique e o Partido Democratico do Uganda nomeadamente Isaias Samakuva, Davis Simango, e Norbert Mao.
O encontro, que decorreu sob os auspicios da Fundacao konrad Adenauer, serviu entre outras, para aprofundar e fortalecer entre os partidos bem como o conhecimento sobre o estado actual da democracia em cada um os paises presents e em Africa, bem como discutir estrategias para a melhoria da performance dos partidos africanos da familia da Centro-Direita a luz dos recentes desenvolvimentos eleitorais na Republica Unida da Tanzania, Costa do Marfim, Angola, Uganda, Mocambique entre outros.
A cerimonia de abertura contou com a apresentacao de discursos apresentados pelo deputado europeu Michael Gahler, Coordenador do Grupo Europeu dos Partidos Populares para o Dialogo de Winhoek, pelo Presidente do Grupo Africano e da UNITA Isaias Samukava, por Wolgang Maier, Director Adjunto do escritorio do Fundacao Konrad Adenauer (KAS) em Berlin, e de Jana Hybaskiva, Embaixadora da Uniao Europeia para a Namibia para alem da participacao de conviados especiais do Governo Namibiano representado pela Embaixadora Selma Ashipila-Musawyi, Secretaria Permanente o Ministerio da Cooperacao e das Relacoes Exteriores e do Parlamento Namibio, Professor Peter Katjavivi, Presidente do Parlamento da Namibia.
No encontro foram discutidos assuntos como a “Politica Externa da Namibia e seu impacto na Africa Austral”, os “Desafios da democratizacao em Africa”, os “Desafios politicos para partidos politicos em Africa”, as “ Relacoes entre Africa e a Uniao Europeia”, a “Crise de seguranca, o terrorismo e conflitos etnicos”, a “Seguranca energetica para Africa e Europa”, os “Desafios para um crescimento economico inclusivo na Africa Sub-Sahariana”, as “Causas e consequencias da migracao em Africa e na Europa”, a “Experiencia da Africa Sub-Sahariana na gestao de refugiados e da migracao” entre outros. Estes assuntos foram apresentados por especialistas de varios centros e pesquisatais como o Instituto Gl do Instituto para Estudos Globais da Alemanha (GIGA), do Instituto de Estudos de Seguranca (ISS), do Instituto Sul-Africano sobre Assuntos Internacionais (SAIIA), dos Advogados Para Direitos Humanos, do Centro sobre Comercio e Direito (TRALAC), do Instituto Namibiano para a Administracao Publica entre outros think tanks.
Para alem de Isaias Samakuva Presidente da Unita que se fazia acompanhar do Deputado Alcides Sakala, Secretario das Relacoes Exteriores da Unita, Davis Simango, de Manuel de Araujo, Chefe Adjunto do Departamento de Formacao e Projectos do MDM e Presidente do Municipio de Quelimane, Norbert Mao do Partido Democratico do Uganda que se fazia acompanhar de Mohammed Baswari Kezaala Al-Hajji, Presidente do Municipio de Jinja, participaram no encontro o Secretario Geral Interino do Chadema, o Presidente do Municipio de Mwanza ambos da Tanzania, o candiato para a Vice-Presidencia do Ghana pelo New Patriotic Front, Dr Mahamudu Mawumia, o Presidente Nacional do Partido CAR do Togo, Me Dodji Apevon, o Deputado da Assembleia Nacional da Republica emocratica ddo Congo, Gilbert Kiakwama kia Kiziki entre outros.
Cerca de 25 politicos dentre membros do parlamento Europeu, deputados nacionais de varios paises africanos, presidentes de partidos e de municipios de ideologia centro-direita reuniram-se de 30 de Outubro a 2 de Novembro em Windhoek, Namibia para analisar o actual estado da democracia em Africa. Dentre os participantes ha a destacar a presenca dos Presidentes da Unita, do Movimento Democratico de Mocambique e o Partido Democratico do Uganda nomeadamente Isaias Samakuva, Davis Simango, e Norbert Mao.
O encontro, que decorreu sob os auspicios da Fundacao konrad Adenauer, serviu entre outras, para aprofundar e fortalecer entre os partidos bem como o conhecimento sobre o estado actual da democracia em cada um os paises presents e em Africa, bem como discutir estrategias para a melhoria da performance dos partidos africanos da familia da Centro-Direita a luz dos recentes desenvolvimentos eleitorais na Republica Unida da Tanzania, Costa do Marfim, Angola, Uganda, Mocambique entre outros.
A cerimonia de abertura contou com a apresentacao de discursos apresentados pelo deputado europeu Michael Gahler, Coordenador do Grupo Europeu dos Partidos Populares para o Dialogo de Winhoek, pelo Presidente do Grupo Africano e da UNITA Isaias Samukava, por Wolgang Maier, Director Adjunto do escritorio do Fundacao Konrad Adenauer (KAS) em Berlin, e de Jana Hybaskiva, Embaixadora da Uniao Europeia para a Namibia para alem da participacao de conviados especiais do Governo Namibiano representado pela Embaixadora Selma Ashipila-Musawyi, Secretaria Permanente o Ministerio da Cooperacao e das Relacoes Exteriores e do Parlamento Namibio, Professor Peter Katjavivi, Presidente do Parlamento da Namibia.
No encontro foram discutidos assuntos como a “Politica Externa da Namibia e seu impacto na Africa Austral”, os “Desafios da democratizacao em Africa”, os “Desafios politicos para partidos politicos em Africa”, as “ Relacoes entre Africa e a Uniao Europeia”, a “Crise de seguranca, o terrorismo e conflitos etnicos”, a “Seguranca energetica para Africa e Europa”, os “Desafios para um crescimento economico inclusivo na Africa Sub-Sahariana”, as “Causas e consequencias da migracao em Africa e na Europa”, a “Experiencia da Africa Sub-Sahariana na gestao de refugiados e da migracao” entre outros. Estes assuntos foram apresentados por especialistas de varios centros e pesquisatais como o Instituto Gl do Instituto para Estudos Globais da Alemanha (GIGA), do Instituto de Estudos de Seguranca (ISS), do Instituto Sul-Africano sobre Assuntos Internacionais (SAIIA), dos Advogados Para Direitos Humanos, do Centro sobre Comercio e Direito (TRALAC), do Instituto Namibiano para a Administracao Publica entre outros think tanks.
Para alem de Isaias Samakuva Presidente da Unita que se fazia acompanhar do Deputado Alcides Sakala, Secretario das Relacoes Exteriores da Unita, Davis Simango, de Manuel de Araujo, Chefe Adjunto do Departamento de Formacao e Projectos do MDM e Presidente do Municipio de Quelimane, Norbert Mao do Partido Democratico do Uganda que se fazia acompanhar de Mohammed Baswari Kezaala Al-Hajji, Presidente do Municipio de Jinja, participaram no encontro o Secretario Geral Interino do Chadema, o Presidente do Municipio de Mwanza ambos da Tanzania, o candiato para a Vice-Presidencia do Ghana pelo New Patriotic Front, Dr Mahamudu Mawumia, o Presidente Nacional do Partido CAR do Togo, Me Dodji Apevon, o Deputado da Assembleia Nacional da Republica emocratica ddo Congo, Gilbert Kiakwama kia Kiziki entre outros.
Monday, 26 October 2015
Angola
Detainees Plead with Fellow Prisoner to End Hunger Strike
LUSA, October 26,
2015
Luaty Beirão, the 33 year old Angolan musician is on the thirty-sixth (36) day of a hunger strike. He is protesting against the detention in June of a group of activists who have since been accused of trying to overthrow the president.
"They are asking for Luaty to return to them alive and healthy; they look up to him as a respected moral leader," said the activist Rafael Marques to Lusa. Marques had visited the fourteen prisoners at the São Paulo prison in Luanda; he then took the message over to Luaty Beirão who has been admitted into a clinic in the Angolan capital.
Rafael Marques told Lusa that he took messages from the fourteen to Luaty Beirão "so that he, without any pressure, will listen to the voice of his companions and prison colleagues in the cause he has been fighting for, to know what they think ought to be the next steps."
Read more: http://bit.ly/1MO36MN
Tuesday, 20 October 2015
Thursday, 10 September 2015
MUNICÍPIO DE QUELIMANE
CONSELHO MUNICIPAL
PRESIDENTE
AV. Josina
Machel nº558, Caixa Postal nº 68, telefax: +24213218, email: cmcqgp@gmail.com-
Cidade de Quelimane
CARTA ABERTA AOS PARTICIPANTES DA III CONFERÊNCIA
NACIONAL RELIGIOSA
Senhor Presidente da República de Moçambique, Excelência,
Senhor Governador da Província da Zambézia, Excelência,
Senhor Ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e
Religiosos, Excelência,
Senhores Deputados, Excelências,
Senhores Membros do Governo, Excelências
Senhores Presidentes dos Tribunais Judicial e Fiscal Provincial,
Excelência,
Estimados Líderes Religiosos,
Sejam bem vindos ao solo municipal Quelimanense! Sejam
bem vindos a terra da galinha a zambeziana e da mukapatha! Sejam bem vindos a
terra das bicicletas e do nyambaro!
Permitam-se iniciar esta Carta Aberta dirigindo palavras
de louvor e aclamação à Sua Excelência, Senhor Presidente da República, Jacinto
Filipe Nhussi, entanto que o Mais Alto Magistrado da nossa Republica. As nossas
palavras de louvor e aclamação são estendidas à toda prestigiosa Assembleia Religiosa
que partindo de diferentes cantos do nosso país e do mundo, se juntaram a nós
para partilharmos experiências, ensinamentos, princípios e valores religiosos
que no dia-a-dia transmitimos aos nossos crentes, as nossas comunidades
religiosas e aos nossos povos.
Agradecemos aos organizadores do evento por terem escolhido
a nossa cidade, o nosso município, como sendo o altar apropriado para
realização desta III Conferência Nacional Religiosa, num momento tao precioso
da historia da nossa patria. Ao nossos ver, alguns factores influenciado a
escolha do Município da Cidade de Quelimane para a realização deste reencontro
religioso. Para além de uma opção meramente logística, relevante no contexto em
que nos confrontamos com a crise financeira e os apelos da racionalidade
económica e financeira, acreditamos que a vossa escolha também deveu-se ao
facto da Província da Zambézia e o Município da Cidade de Quelimane
desempenharem um papel importante no desenvolvimento e expansão dos princípios
e dos valores religiosos da fraternidade, do amor à Deus e ao próximo. Somos
uma Província religiosamente heterogénea com a capacidade de aceitarmos de
forma tolerante e fraterna, todos os tipos de diferenças. Somos reconhecidos
como uma Província heterogénea, pluralista, com maior número de crentes
professando diferentes religiões, entre elas:
·
Católica,
·
Anglicana
·
Islâmica
·
Sião/Zione
·
Hindu
·
Religião Evangélica/Pentecostal
- inclui as Igrejas Adventistas, Apostólicas, Baptistas,
Evangélicas, Luteranas, Metodistas, Presbiterianas,
A província da Zambézia de que somos capital, é um
verdadeiro mosaico religioso onde 40.0% da sua população professa a religião Crista
na sua vertente Católica. De
acordo com os dados oficiais, a população que professa a religião Islâmica representa entre dez a vinte
por cento da população da Zambézia. E desta, maior parte é da zona urbana
(10.8%). As outras religiões:
Zione, Evangélica, Luterana, Metodista são professadas por 14.6% da população
da Província. Os desafios da evangelização na província ainda persistem. Temos 15.2%
da nossa população que não professa nenhuma religião. A despeito das diferenças doutrinais, as diferentes instituições
religiosas existentes nesta Província estão unidas por uma visão comum do mundo
que ancora toda a vida na autoridade de um ser Sagrado e num ethos
compartilhado que se expressa através do amor, da paixão e da fraternidade
entre os homens.
A nossa Constituição da República de
Moçambique estabelece que somos um Estado laico. A laicidade do Estado assenta
na separação entre o Estado e as confissões religiosas. Mesmo com esta dimensão
da laicidade, precisamos de reconhecer o importante papel das confissões
religiosas na moralização da sociedade moçambicana, de um lado, assim como, precisamos
de reconhecer e valorizar as actividades das confissões religiosas visando
promover um clima de entendimento, tolerância, paz e da fraternidade, o
bem-estar espiritual e material dos cidadãos e o desenvolvimento económico e
social. A análise que fizemos a este pressuposto constitucional leva ao
entendimento de que, embora, Moçambique seja um Estado Constitucionalmente
laico, o Estado nos seus mais diversos níveis privados e público da sua
actuação funda-se nos princípios e valores religiosos da fraternidade, do amor
ao próximo. Estes princípios são valores e princípios que nos inspiram para o
respeito, a tolerância, o amor ao próximo, a fraternidade e a filantropia que
cada um de nós, como líderes religiosos, dirigentes das instituições públicas
ou privadas.
Em
Moçambique, na Zambézia e em Quelimane particularmente, nos mais diversos
processos históricos e políticos, as confissões religiosas desempenharam,
diferentes papeis quer nos processos de desenvolvimento político, económico e
social, assim como de reconciliação nacional. Refira-se que durante os conflitos
armados, que terminou com a assinatura do Acordo geral de Paz e a assinatura do
Acordo de Cessação de Hostilidades, as confissoes religiosas, como maior
destaque para a Igreja Católica e o Conselho Cristão de Moçambique defendiam
junto do governo e nao so. a política de reconciliação nacional.Por isso, no
actual diálogo político em que a Paz e Estabilidade Política estão sendo
ameaçadas, as Instituições Religiosas são convidadas a tornarem-se mais actuantes
na busca dos caminhos da Paz e da Estabilidade Nacional.
Neste momento crucial da historia da
nossa jovem democracia, seria importante recordar a Primeira Carta Encíclica de
Paulo aos Coríntios quando dizia o seguinte: ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos e não tivesse o
amor, seria como o metal que soa ou como o sino que treme. A carta do
Apostolo Paulo é uma das mais belas obras religiosas que encontramos na
Literatura e que achamos relevante partilharmos com os membros das diversas confissões
religiosas presentes nesta III Conferência Nacional
Religiosa e nao so. O
apóstolo Paulo inspirou-se de um antigo hino cristão e o adaptou para ajudar os
leitores da carta a entenderem seu recado e transmitirem a pedagogia do amor,
da fraternidade, da compaixão e da esperança. Paulo recorda-nos que o maior Dom
que possa existir na vida é o amor e a fraternidade dedicados à Deus e ao
Próximo.
O que Paulo afirma na sua carta
dirigida aos Coríntios também está em Mateus 22, 34-40 34. Sabendo os fariseus
que Jesus reduzira ao silêncio os saduceus, reuniram-se e um deles, na altura
entendido como o Doutor da Lei, perguntava a Jesus Cristo para pô-lo à prova: Mestre, qual é o maior mandamento da Lei de
Deus? Respondeu Jesus:
-
Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de toda tua
inteligência. Estes são os primeiros e maiores mandamentos;
-
Amarás teu próximo como a ti mesmo.
Nesses dois mandamentos encontramos
a inspiração, a fonte da luz, da esperança que orientam os profetas, as confissões
religiosas. Nestes mandamentos, as instituições do Estado e os municípios devem
buscar a fonte de inspiração e de actuação na defesa da fraternidade e da
irmandade.
Encontramos também dentro dos pilares do Alcorão a
fé da nossa religião islâmica que se opõe à exclusão, a separação, ao abandono,
a discriminação e estigmatizarão do próximo. No final da Surata Al Bacará diz: “Todos
os crentes creem em Allah, em Seus anjos, em Seus Livros e em Seus
mensageiros. Nós não fazemos distinção entre os Seus mensageiros.”
(Alcorão Sagrado, 2:285). Essa ética divina invocada pelo Alcorão é seguida por
todo muçulmano que visualizam todos os profetas e mensageiros com todo o
respeito, porque todos foram enviados por Deus com uma só mensagem: o de adorarmos somente a Allah, e não Lhe
atribuirmos parceiros. Portanto, são irmãos na convocação das pessoas para a
senda de Deus.
Meus Senhores e minhas Senhoras,
Realizamos a III Conferência
Nacional Religiosa num momento em que o país confronta-se com dois principais desafios
nos quais em cada dia a Paz e a Estabilidade Política encontram-se ameaçadas.
O
primeiro desafio tem o carácter político: nos
últimos dias, adensou o clima de desconfiança e tensão que envolve a política
moçambicana desde as eleições de 2014 e que levou aos confrontos armados de
Julho, na província de Tete. O ambiente de tensão que estamos vivendo tem
revelado que apesar da Paz alcançada em 1992 o processo de reconciliação, da
consolidacao da democracia, do amor e da fraternidade nacional ainda continuam
sendo frágeis. Negociamos armados, inspirados no odia, na vinganca! Negociamos
para aldrabar o outro, para humilhar e espezinhar o proximo! Negociamos para
derrotar ao proximo e podermos proclamar a nossa victoria! Um acordo que cria
vencidos e vencedores nao e, e nem sera, a solucao para os problemas de uns e
de outros! Um acordo baseado nesses principios e com toda a certeza, a materia
prima para o proximo troar de armas entre irmaos! Por isso, se quisermos
encontrar uma solução sustentável em relação às reivindicações apresentadas por
uma ou por outra formação política, deveremos alterar o nosso paradigma de
análise e observação do espectro de conflito em que o nosso sistema político
pode estar atravessando. Caros líderes religiosos, caros parlamentares, membros
do governo, do corpo diplomático, membros da sociedade civil amantes do povo
mocambicanos. O melhor medico nao aquele que nos receita o remedio mais doce,
menos amargo, ou menos doloroso, mas sim aquele que nos receita a medicacao
correcta, por mais amarga ou dolorosa que seja! O melhor amigo nao aquele que
nos elogia, mas sim aquele que mesmo sabendo da nossa possivel reaccao tem a
coragem de nos dizer a dura verdade sobre nossos actos e pensamentos! A
persistência do conflito em que o País vive e tem dificuldade de supera-lo
passa necessariamente pela necessidade de superação de alguns preconceitos
negativos com os quais fomos socializados desde a nossa infância, a
adolescência e teimamos em ainda conviver com eles. A sociedade moçambicana
precisa de desconstruir o conceito oposição=inimigo que deve ser extirpado e
excluído do campo político nacional. Precisamos de aceitar com humildade, o pensar
diferente com o sentido elevado da fraternidade, do amor e carinho ao próximo!
Todos, independentemente das nossas diferenças, pertencemos a este espaço,
chamado Mocambique Como filhos de Deus merecemos todo o respeito, a dignidade,
o amor e a concórdia. É dentro destes princípios onde enquadramos o discurso do
Senhor Presidente Felipe Nhysi quando declarou-se disposto a encontrar-se com o
líder da oposição para falar da Paz, da Reconciliação e do Desenvolvimento e
ultrapassar o potencial de risco e da guerra. Excias, o mundo onde o nosso pais
se encontra, esta numa competicao intensa entre regioes e entre paises!
Enquanto nos distraimos com querelas internas, outros paises vao tomando aquele
que e e deverioa ser o nosso lugar no ‘Concerto das Nacoes’! Quando acordarmos,
ja o comboio do progresso tera apitado tres vezes e partido...
O segundo desafio nacional tem um carácter económico: apesar de todos esforços feitos
pelo Estado e pelas confissões religiosas que lutam em prol do desenvolvimento
e crescimento económico, a maior parte da população moçambicana vive com níveis
de pobreza bastante alarmantes. A pobreza e a desnutrição continuam com níveis
bastante elevados. Nos últimos anos, o crescimento do consumo per capita diminuiu drasticamente e a
corrupção permanece alta. Nas zonas rurais prevalece a baixa produtividade em
virtude do baixo acesso aos fertilizantes e insumos agrícolas, fraco acesso ao
crédito e falta de infra-estruturas. Estes e outros aspectos concorreram para
que o cumprimento das metas dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio (ODM) não
fosse atingido.
A exclusao economica e uma ameaca a
paz e por isso deve merecer a atencao de todos os actores, incluindo as
confissoes religiosas.
Confrontados com os elementos do contexto político e
económico, em que o país esta vivendo actualmente, existem três passos
importantes que exigem uma reflexão:
a) Primeiro, precisamos
de desenvolver uma Campanha em favor da Fraternidade, da Concórdia e da
Reconciliação Nacional. A proposta de uma Campanha em favor da Fraternidade, da
Concórdia e da Reconciliação deverá envolver todos os moçambicanos sem
distinção das suas cores políticas, religiosas, culturais e nem étnicas. Com
base nessa campanha deveremos assumir que cada um de nós, líderes religiosos,
políticos e dirigentes sejam inspirados pelo princípio do Apóstolo Marcos que
nos ensina a ‘vivermos para servir o povo e não para nos servirmos do povo’.
b) Segundo, para além de uma Campanha
Nacional em favor da Fraternidade, da Concórdia e da Reconciliação, precisamos
de estabelecer um compromisso colectivo entre as Religiões e o Estado para que
se reflicta no respeito da Dignidade Humana, bem como na Justiça Social, no Serviço
da Igreja à sociedade. Aparece a preocupação das lideranças da Igreja com o seu
agir direccionando a sugestões pastorais para a vivência da Campanha da
Fraternidade nos diversos locais de culto e nao so como as mesquitas, dioceses,
paróquias, Sinagogas e comunidades.
c) Terceiro, o
projecto e a visão social que precisamos de estabelecer devem colocar no centro
da sua agenda a importância da dignidade
humana, do bem comum e da justiça social. Precisamos de reforçar o
papel das Religiões e coloca-la ao Serviço da sociedade. Precisamos de
reflectir muito mais o papel das lideranças da Igreja com o seu agir fraterno
direccionando sugestões pastorais para a vivência da Campanha da Fraternidade.
Terminamos esta Carta Aberta reiterando que cada um dos crentes
das nossas confissões religiosas; Cada um dos membros das nossas comunidades; cada
um dos membros das nossas formações políticas; cada um dos membros das nossas
instituições públicas ou privadas precisam do amor,da fraternidade, da justiça (social,
politica e social, e da concórdia, enfim da INCLUSAO. As nossas confissões
religiosas desempenham um papel importante para o alcance destes valores
preciosos procurados por todos.
Os nossos crentes, as nossas comunidades, as nossas
instituicoes religiosas precisam de encontrar o carácter superior do amor
transformado em obras produzidas em favor dos crentes e dos povos. Por isso,
cabe a cada de nós, presentes e ausentes deste fórum o compromisso colectivo
para a materialização dos anseios colectivos do nosso povo e da nossa patria.
Esta patria e de todos, nao devendo haver cidadaos da primeira e cidadaos da
segunda!
Sintam-se em casa na paz do Senhor!
PRESIDENTE DO CONSELHO MUNICIPAL DA
CIDADE DE QUELIMANE
Manuel de Araújo
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